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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Técnica de Batoning: O Que É e Como Fazer?




Olá, graça e paz!

Hoje eu quero apresentar á você, uma técnica muito utilizada em bushcraft e em sobrevivência: a técnica de batoning.


Conceito
A palavra "batoning", vem do inglês, "baton", que significa "bastão". Batoning, portanto, significaria algo como "bastonada", "porretada" ou paulada.
A técnica de batoning poderá e deverá ser aplicada apenas em situações de emergência, onde você não terá consigo, um machado ou machadinha para rachar madeira: para essas situações, recomenda-se a utilização de facas feitas com aço carbono (um aço mais maleável e disposto a absorver energia das bastonadas) e com o cabo em perfil integral ("full-tang"), pois são mais resistentes á impactos.

A técnica de batoning, se resume a: pegar um bastão (de feitio mais pesado e duro) e "martelar" a faca contra um pedaço de madeira (que obrigatoriamente deve ser mais leve e menos dura).

Veja abaixo um vídeo de como isso se processa:





Cuidados
É importante dizer, que essa técnica é para ser utilizada apenas em situações de emergência, onde você não tem uma machadinha ou mesmo um machado! Cada vez que você utiliza a técnica de batoning, as chances de a sua faca arrebentar-se, aumenta, por melhor que seja a sua qualidade!


Fiquem com Deus e até a próxima!

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Estratégia, Tática e Operação: Qual a Diferença?




Olá, graça e paz!

Hoje, eu venho até vocês, oferecer-lhes um conceito muito utilizado em Administração: Estratégia, Tática e Operação.
Em um vídeo (e também artigo) de alguns anos atrás, Júlio Lobo do Sobrevivencialismo.Com, abordou a Matriz SWOT (sigla para: Strenghts, Weaks, Oportunities e Threats) que faz parte dos assuntos ministrados nas academias de Management (ou “Administração”, no Brasil) em todo o mundo. Então porque eu não posso fazer algo do tipo? Então, venho apresentar para vocês os Níveis Organizacionais (também conhecidos como Níveis Hierárquicos): Estratégia, Tática e Operação.


Diferenças
Sim, muito provavelmente você sempre quis saber, embora nunca tenha descoberto o significado e as diferenças desses três termos, que são considerados Níveis Organizacionais em Administração. Mas vamos lá:

  • Estratégia (Stratega): vem do grego e referia-se aos comandantes militares de Atenas (cidade-estado da Antiguidade Clássica). Quando a democracia foi implantada por Sólon (sob a orientação do rei Cleômenes III de Esparta), o Exército dos Cidadãos de Atenas, foi dividido em dez corpos e cada um possuía como comandante um “strategói” (termo derivado de “stratega”). Esses comandantes respondiam á um comandante-geral chamado de “polemarco”. Seja como for, a palavra popularizou-se por conta do rei Alexandre III, o Grande, da Macedônia (e de 90% do mundo civilizado de seu tempo…) que ao morrer, nomeou como regentes de seu filho Alexandre IV, quatro homens que deveriam reger o seu vasto Império durante a menoridade de seu herdeiro. Esses quatro foram nomeados “strategói”, sendo que posteriormente, ao iniciarem as suas famosas guerras pelo Poder, passaram a chamarem a si próprios de “diadocói” (“sucessores”). Com a Renascença, o termo estratégia saiu dos livros clássicos escritos em grego e em latim passando a língua dos povos da Europa Ocidental.

Baseado na explicação acima, podemos concluir que o termo “estratégia” se refere ao ato de ser comandante, isto é: tudo aquilo que é próprio de quem toma as decisões fundamentais e que impactam todo o resto. É no Nível Estratégico, que as decisões de longo prazo são tomadas e dão o corpo de toda a ação pelos próximos dois a cinco anos (talvez mais)!


  • Tática (Tatiké): também procede do grego, esse termo quer dizer literalmente “movimentação (de tropas)”. O estilo grego de se lutar na Antiguidade Clássica, era o Hoplita: o soldado que portando lança e escudo, unia-se a outros que pertenciam a mesma Póles que a sua e unidos batalhavam contra os inimigos da comunidade. Uma vez definida a Estratégia, fazia-se necessário movimentar as tropas, pois os hoplitas, carregavam até 35 kg de equipamentos! Além disso, o relevo da Grécia era (e ainda é) extremamente escarpado, saber movimentar tropas é fundamental ali: Mussolini que o diga! O Nível Tático abrange um período de tempo que varia de algumas semanas a até uns dois anos.
Um Hoplita Grego do Tempo das Guerras Médicas (492 a.C - 479 a.C)



O Nível Tático é intermediário entre a Estratégia e o próximo Nível: o Operacional. Tudo o que o Nível Estratégico decide e executa, deve passar pelo Nível Tático que deve lidar com o Nível Operacional.


  • Operação (Operandi): não, essa palavra não tem origem no grego, mas no latim. Operandi quer dizer literalmente “fazer, executar” e é exatamente isso o que significa Operação. O Nível Operacional é o mais básico de todos, porém se uma boa Estratégia for tomada e uma boa Tática efetuada, a Operação será bem amparada e as chances de se aumentarem os êxitos no resultado aumentam.

Nas Forças Armadas, a palavra “Operação” é usado não para definir o conceito que estou apresentando, mas sim para descrever aquilo que em Administração é conhecido como “Projeto”, mas sobre isso eu falo em outra postagem. Você que é militar e está lendo isso tudo, fique despreocupado: siga os termos que a sua corporação utiliza sem medo de ser ou agir com ignorância, a Administração não é uma ciência exata, por isso mesmo fique “de boa”, ok?


Término
Bom, por enquanto é isso. Mais tarde eu trato mais sobre Administração! Até mais!

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Enlatados: Vantagens e Desvantagens



Graça e paz á todos!

Hoje eu venho falar sobre as vantagens e desvantagens dos enlatados.


Histórico e Processos
Os enlatados são fechados em máquinas específicas e próprias para isso. A sua origem remonta as Guerras Napoleônicas, quando o engarrafador de champanhe, o francês Nicholas Appert, criou um modo de conservar comida dentro de uma garrafa de vidro hermeticamente fechada. O processo utilizado por ele era simples: cozinhava os alimentos até certa temperatura para então colocá-la com a água dentro e (o verdadeiro “q” da questão) tampá-la de maneira a não permitir que o ar exterior entrasse. Assim, a comida podia ficar meses (ou mesmo anos) sem estragar. Claro que já existiam os vidros de conservas, mas eles exigiam certos produtos químicos (como o vinagre) que acabam estragando o gosto dos alimentos. Já esse novo processo não, o gosto ficava conservado (ou parcialmente) e não era necessário nenhum tipo de produto químico.

Nicholas Appert, o parisiense que descobriu o processo de conservação de alimentos atuais


Esse aí é o pai dos enlatados: uma garrafa de vidro onde se transportava a comida conservada pelo processo criado por Appert

Até aí tudo bem, mas o que o então imperador da França não contava, era que espiões britânicos roubariam algumas dessas garrafas de conservas e através de um processo que hoje em dia chamaríamos de “engenharia reversa”, conseguissem recriar o processo. Na verdade, os britânicos aperfeiçoaram o processo na pessoa de Peter Durand, um mecânico natural de Londres: ao invés de garrafas de vidro, a comida passou a ser envazada em latas… afinal elas são bem mais resistentes do que garrafas de vidro!

Peter Durand, o "pai" dos enlatados


Hoje em dia, por determinação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), os enlatados devem ter uma série de produtos químicos para aumentarem a sua durabilidade e supostamente nos dar mais segurança na hora de consumirmos a comida enlatada, mas essas substâncias causam um terrível mal ao ser humano, principalmente após consumos repetidos… (obrigado pela “proteção”, Anvisa!)


Vantagens
  • Podem ser armazenados por anos sem haver qualquer preocupação com a conservação do alimento. De acordo com o sobrevivencialista Batata (da plataforma de mídias sociais o Guia do Sobrevivente), a data contida nos enlatados não deve ser levada em consideração, pois a validade real é indeterminada.
  • Por ser barata, a comida enlatada pode ser adquirida em grandes quantidades por pessoas de baixo poder aquisitivo.
  • Os enlatados podem ser facilmente encontrados e comprados, pois em geral, são vendidos em: tabernas, mercadinhos e supermercados.
  • Hoje em dia, a variedade de alimentos enlatados é grande. Você certamente encontrará um alimento enlatado que caiba no seu paladar!
  • São bons para serem estocados em uma B.O.L (abrigos secundários, clique aqui se não sabe o que é isso) que se localizam no meio do nada e que não podem ser constantemente visitadas.


Desvantagens
  • São pesados, podendo complicar a sua vida no caso de uma evacuação.
  • São desaconselháveis de se levar em uma mochila de B.O.B (Bug Out Bag) pela razão acima elencada (o peso dos enlatados poderá rasgar a sua mochila de fuga/evasão).
  • A quantidade de sódio é altíssima, o que acarreta em sede imediatamente após o consumo e no longo prazo, em problemas cárdio-vasculares, gástricos e/ou intestinais.
  • Para cada 10 gramas de sódio ingeridos (comida enlatada tem MUITO sódio), são necessários ao menos 1 litro de água para diluir a substância Na (sódio) em nosso organismo.

Recomenda-se para seres humanos, o consumo diário de 5 gramas de sódio por dia.

Vídeo do canal, onde eu mostro as Vantagens e Desvantagens dos Enlatados

Finalizando…
Bom, por enquanto é isso. Esse artigo não visa fazer juízos á respeito dos enlatados, mas sim levantar os pontos positivos e negativos deles. Analise-os e com eles em mente, faça as suas preparações baseadas nos enlatados… ou não!

Graça e paz á todos!

terça-feira, 4 de julho de 2017

O Que É B.O.B?



A Sigla
“B.O.B” é a sigla para “Bug Out Bag”, que foi traduzido como “Mochila de Fuga/Evasão”. Certo, B.O.B quer dizer mochila de fuga, mas como aplicar esse conceito? É exatamente a isso que esse artigo se propõe a responder.


Conceito…
Quando uma crise (enchente, furacão, terremoto, desmoronamento de barrancos, invasão de exércitos armados, perseguições governamentais – movidas de vez em sempre por governos de esquerda… –, crise na segurança pública, saques, vandalismo ou algum distúrbio social) chega no local onde você vive, pode ser que se faça necessário sair de sua casa e deslocar-se para outro local (um abrigo comunitário, a casa de um parente ou a sua B.O.L – caso não saiba o que é B.O.L, clique aqui).

A B.O.B se propõe exatamente a isso: é uma mochila onde você colocará os itens mais importantes para a sua subsistência durante esse período de crise. Simplesmente é isso. Eu poderia encerrar o artigo por aqui, mas antes eu preciso desmitificar algumas coisas.


Desmitificando
Primeiro: muitos preparadores, sobrevivencialistas e até bushcrafters, defendem que a B.O.B deve ter suprimentos necessários para até 72 horas; é o famoso “Kit de 72 horas” que por ignorância de alguns, tornou-se a “marca registrada” da B.O.B. Nada pode estar mais equivocado!

O “Kit de 72 horas” tem as suas origens nos kits que militares da aeronáutica norte-americana (US Airforce) possuem em aviões durante as suas ações aéreas e que no caso de a aeronave cair, poderão lançar mão desse kit para manterem-se vivos até serem resgatados. Alguém resolveu pegar esse conceito e transferi-lo para a B.O.B. Além disso, sabe-se que a FEMA (agência norte-americana que lida com desastres) recomenda que os cidadãos norte-americanos tenham provisões para até 72 horas, pois segundo eles, esse é o máximo tempo que as autoridades (daquele país) levam para alcançar os cidadãos em casos de desastres (seja qual for).

Segundo: simplesmente pegaram o conceito do parágrafo anterior e uniram a B.O.B. Mas uma coisa é desassociada da outra. Na minha B.O.B não há um kit de 72 horas, porém há equipamentos que suprem a minha pessoa e mais um acompanhante em caso de eventuais crises onde eu moro: se precisar evadir de onde moro, eu pego a minha mochila de fuga e evado de casa, sabendo que tenho como sobreviver a eventuais crises.

Terceiro: a B.O.B precisa estar sempre pronta (SEMPRE mesmo!) para o uso, com todos os equipamentos funcionais e em condições de efetuarem o trabalho para o qual foram desenhados. Lembre-se de que ela é uma mochila para evasão rápida, caso seja realmente necessário e nesses momentos, falhas NÃO são uma opção.


...e Prática!
Obrigatoriamente, uma B.O.B deve ter ao menos quatro dos seis aspectos da sobrevivência (todos abordados aqui no blog, links no final desse artigo): Comida, Fogo, Água e Orientação. Mas se possível, que tenha os seis aspectos (além dos quatro já citados, temos também a Sinalização e o Abrigo)!

Claro que os aspectos da sobrevivência que serão cobertos pela sua B.O.B dependerá de você e unicamente por você. Eu não pretendo aqui, nesse texto, dizer o que deve ou não ser colocado em uma mochila de fuga. Talvez eu faça isso em um futuro próximo, em um outro artigo, quem sabe…

Graça e paz á todos! Até!


Links da série “Os 6 Aspectos da Sobrevivência”:








segunda-feira, 3 de julho de 2017

Pharmacoós: Crajirú



O Que É O Crajirú?
O crajirú é um arbusto que cresce espontaneamente no bioma amazônico. É muito utilizada pelas populações amazônicas que costumam ter ao menos um pé de crajirú no jardim ou no quintal de suas casas. O seu nome científico é arrebidaea chica Verlot, porém possui muitos nomes populares, á saber: carajurú, capiranga, cipó cruz, cipó cruz da amazônia, grajirú, crajurú, guarajurupiranga, pariri, piranga, calajouru, karajura, krawiru.

A planta possui funções farmacológicas interessantes:

-Anti-Inflamatório
-Bom contra gripe, garganta inflamada e febres
-Bom cicatrizante
-Bom contra cólica
-Bom contra anemia
-Não possui nenhuma contra-indicação conhecida


Como Extrair as Propriedades
O "chá" deve ser feita através de infusão (colocar as folhas em uma panela com água quente e tampar a mesma - mas atenção: a água deve estar quente, mas em hipótese alguma deve estar fervendo no fogo, NÃO ferva, em hipótese alguma!) e deixado em banho por pelo menos uma hora.

Caso tenha dúvidas sobre como fazer a infusão, clique neste link: O Que É O Chá E Como Fazê-lo


Vídeo Apresentação
Caso seja de seu interesse, tenho um vídeo falando sobre o Crajirú no canal:




Para Saber Mais:


Como Preparar Chá de Crajirú https://www.youtube.com/watch?v=wSaaBLgUX2k

Crajirú é uma ótima planta anti-inflamatória https://www.youtube.com/watch?v=e8UI67TeEFY


sábado, 17 de junho de 2017

Cutelaria – Parte 2: Tipos de Lâminas




Graça e paz á todos!

Explano nesse artigo, sobre os principais tipos de lâminas existentes.


Introdução
Um leigo sempre diz que “faca é tudo igual!”, porém, quem possui mais experiência nessa área, sabe perfeitamente bem que essa afirmativa é um equívoco: existem lâminas e mais lâminas e cada uma tem o seu propósito específico.


Principais Tipos de Lâminas e Suas Utilidades
Vou escrever agora apenas os principais tipos, pois se eu fosse falar de cada tipo de lâmina existente, seria necessário criar uma série apenas para isso (boa idéia, não?!).

  • Canivete Suíço: também chamado de “Knife of Swiss Soldier”, os canivetes suíços são ferramentas verdadeiramente úteis para pequenas e delicadas tarefas, como abrir pacotes, cartas e outras funções mais. Cada modelo de canivete possui funcionalidades que mudam de abrangência. Uns possuem tesoura, outros serras e alguns outros não possuem nenhum dos dois! O canivete (independente de ser suíço ou não) se destaca por seu poder discricionário, podendo ter o seu tamanho reduzido pela metade e expandido quando o usuário assim o quiser, ao sacar a lâmina. A Victorinox afirma que o seu fundador seria o desenvolvedor da tecnologia de molas e pressão que há no canivete quando a lâmina do mesmo é aberta.

Por falar nisso, no canal do youtube tem duas reviews (análises) dos canivetes suíços victorinox, spartan e huntsman. Dê uma olhada abaixo (se desejar):

Review do Canivete Suíço Victorinox Spartan.


Review do Canivete Suíço Victorinox Huntsman.


Caso queira conhecer os “sub-tipos” de canivetes, esse artigo escrito pelo mestre-cuteleiro, Márcio Camacho é o ideal para você: Tipos de Canivetes - Por Márcio Camacho

  • Faca: independente do modelo ou função para o qual foi desenhada, a faca possui uma coisa que o canivete não possui, na verdade duas; a faca não pode ser dobrada sobre si como no caso do canivete e a segunda coisa é que o fato de a faca não ser retrátil, faz com que ela tenha uma capacidade de resistência maior. Canivetes por terem a lâmina unida ao cabo por um sistema de molas e parafusos, possui maior fragilidade, enquanto que a faca por ter a lâmina e a espiga em uma só peça é mais resistente por si só (e mais indicada para trabalhos mais pesados). Muitos preparadores, sobrevivencialistas e bushcrafters acham que só podem ter facas “full tang” (também conhecidas no Brasil como “perfil integral”), mas isso não é verdade, pois existem facas que não são de perfil integral (full tang) e executam perfeitamente bem as suas funções para as quais foram projetadas.

Alguns tipos de facas: de sobrevivência, para atividades outdoor, para coureamento (“skinner” em inglês), para cortar carne, com a lâmina serrilhada, karambit (a "sensação" do momento) e outras.


  • Machado: canivete é para atividades mais leves e delicadas, enquanto que a faca é para atividades de maior força. Os machados (independente do tipo) é para atividades onde se exige maior “ignorância”: cortar árvores, troncos, galhos, lenha, derrubar portas… essas e outras necessidades que exigem uma lâmina mais forte.


Finalizando
Bom, por enquanto é isso. Tenha em mente que lâmina é lâmina, exatamente por isso, nunca subestime o poder de corte e perfuração de uma lâmina. Abaixo eu deixo com vocês, dois vídeos onde o canal e blog Sobrevivencialismo testou lâminas em duas ocasiões distintas contra carne de porco (que possui a textura semelhante a da carne humana).

Aqui, neste vídeo, testa-se o poder de lâminas pequenas.

Já neste outro vídeo, testa-se o poder de lâminas maiores!



Graça e paz e até a próxima!


Caso deseje, poderá ler os outros dois artigos desta série:


sexta-feira, 24 de março de 2017

O Mundo Perdido: Jurassic Park 2 – Uma Análise Preparadora (e Sobrevivencialista)



Graça e paz á todos!

Hoje tratarei da análise do filme O Mundo Perdido: Jurassic Park 2.

Há algum tempo atrás, eu fiz uma análise do ponto de vista do sobrevivencialismo e da preparação do filme Jurassic Park (o primeiro, caso deseje vê-la, clique aqui) onde mostrei como o filme é mal-construído do ponto de vista sobrevivencialista. Agora vamos para o segundo filme dessa franquia: aviso que HÁ SPOILERS (isto é: revelações da história do filme), portanto se não desejar “perder a graça”, saia desse artigo e vá assistir o filme primeiro.


Começando…
O segundo filme da franquia Jurassic Park começa um pouquinho mais tranquilo em relação ao primeiro: uma família de super-ricões está viajando de iate pelo Oceano Pacífico e decidem comer em uma praia com toda a pompa e circunstância. A família (chama-se Bowen, de acordo com a sinopse) é composta de um pai (displicente), uma mãe (dondoca) e uma menina pequena com menos de dez anos de idade chamada Cathy.

Cathy se afasta dos pais (sob protestos da mãe e com a total conivência do pai) e acaba sendo atacada pelos Compsognato, que a deixam machucada (mas viva, de acordo com John Hammond). A primeira lição sobrevivencialista do filme: NUNCA acesse uma área selvática que seja de seu total desconhecimento: se o casal tivesse consciência de que ali era uma ilha com dinossauros, JAMAIS teriam pensado em desembarcarem ali. A segunda lição é a mais óbvia: tome cuidado com os membros de sua família, principalmente os menores e mais fracos.

A cena seguinte mostra Ian Malcolm (o cara que se ferrou no primeiro filme, lembram?) em um metrô.

Na mansão de Hammond, Ian tem uma discussão com Peter Ludlow (sobrinho de John Hammond) que destruiu a reputação dele acobertando os fatos ocorridos no primeiro filme. Após a discussão, o dr.Malcolm segue para conversar com Hammond, que conta as más-notícias: o ataque com Cathy; a InGen usou isso como desculpa para retirar Hammond do cargo de presidente da empresa; a corporação irá enviar uma expedição á chamada “ilha b”, também conhecida como “Ilha Sorna”;

O plano de John Hammond é simples: ele decide enviar a sua própria expedição, mas para documentar os hábitos e a existência dos dinossauros e levar isso ao conhecimento do público (que diga-se de passagem, não sabe da existência dos dinossauros até aquela presente data).

Após relutar, Ian aceita partir para a ilha após saber que a sua namorada, Sarah Harding já se encontra em Sorna. Antes da bombástica revelação, Hammond havia dito á Ian que o infravermelho dos satélites haviam indicado que os predadores se concentravam no centro da ilha.

Ian se reúne com Eddie Carr (especialista de campo) e Nick Van Owen (repórter e “garanhão” metido á ambientalista), membros da equipe que deverão ir até a Ilha Sorna e se encontrarem com a dra.Harding (paleontologista) para assim recolherem imagens e gravações de áudio e vídeo dos dinossauros. Exceto Ian Malcolm, ninguém da equipe possui experiência prática em sobrevivência, principalmente, sobrevivência á dinossauros!

Pouco antes de desembarcarem na ilha, o condutor da balsa avisa que não aportará em Sorna e que o arquipélago inteiro é conhecido como “Las Cinco Muertes”.


Na Ilha
Uma vez em Sorna, a equipe capitaneada por Ian Malcolm arma o seu acampamento e segue atrás da dra.Sarah Harding, que está observando e fotografando um bando de estegossauros. De maneira imprudente, Sarah aproxima-se de um filhote de estegossauros e após acariciá-lo, tira fotos dele até que a máquina fotográfica termina o rolo (para os mais novos: antes dos cartões de memória, as máquinas fotográficas eram em filmes e quando o rolo acabava, rebobinava automaticamente fazendo um barulho): o barulho do rebobinamento faz com que os estegossauros ataquem Sarah que quase é morta. Nunca ponha-se em perigo desnecessariamente, caro preparador/sobrevivencialista! Eu sei que é apenas um filme, mas devemos tomar lições para a nossa vida, certo?

Para piorar a situação, a equipe descobre que Kelly Malcolm, filha de Ian Malcolm, estava escondida no trailer… em meio a discussão que se segue, ouve-se e visualiza-se helicópteros da InGen: a expedição de Peter Ludlow chegou á ilha!

Os homens de Ludlow (liderados por Roland Tembo – um experiente caçador, um verdadeiro sobrevivencialista! - e Dieter Stark) capturam vários dinossauros e armam o seu acampamento, dispondo as jaulas com as feras nos arredores do acampamento. Enquanto isso, Roland e o seu amigo Ajay Sidhu, saem em busca do T-Rex e para atraí-lo, capturam o filhote dele e o colocam em um local-chave para a captura (á favor do vento).

Ian, Sarah, Eddie e Nick, aproveitam o fato de que todos os membros da equipe de Ludlow estão em uma vídeo-conferência ao vivo com os acionistas da InGen e soltam os dinossauros, que atacam e destroem o acampamento de Ludlow.

Enquanto fugiam, Sarah e Nick vêem o filhote de T-Rex preso ao chão: ele está com o fêmur fraturado e eles decidem tratar do ferimento do animal em seu próprio acampamento. Ian e Eddie consideram isso loucura, bem como Kelly, mas nada pode ser feito ante a teimosia da paleontóloga e do repórter. Kelly, muito assustada, exige sair dali e é conduzida ao abrigo suspenso de Eddie, que fica com ela no topo, junto com Ian: é quando o farfalhar de galhos e leves tremores de terras são ouvidos… são o casal de T-Rex, que sentem o cheiro e os gritos do filhote e vão ao acampamento de Ian e cia para salvá-lo!

Ian corre para o acampamento apenas para avisar (tarde demais) que os T-Rex estavam á caminho…

Á seguir, a cena mais desesperadora do filme acontece: depois de devolverem o filhote, o casal de predadores atacam o trailer, deixando-o próximo de despencar no promontório: montar um acampamento próximo de um promontório é uma boa idéia, pois o mar, junto com o paredão, servem de “muralhas naturais”, mas no filme, acampar ali mostrou-se uma burrice enorme. Mas na vida real, armar acampamentos-bases em regiões com obstáculos naturais é sim uma boa idéia e aí o filme acertou: só tome cuidado para que você e eventuais companheiros fiquem (literalmente) em uma situação sem saída.

Eddie pega a sua pick-up e segue para o acampamento e após momentos de desespero, as coisas começam a melhorar, pois ele consegue jogar uma corda para Nick, Sarah e Ian, além disso, o carro dele está rebocando o trailer. No entanto, por causa da fumaça emitida pela pick-up, os T-Rex reaparecem e matam Eddie, fazendo com que o carro dele e o trailer caiam pelo promontório e explodam. Felizmente, Ian, Sarah e Nick estão bem atados á corda e escalam o paredão, apenas para serem auxiliados pelos homens de Ludlow, que estão junto com Kelly (provavelmente a garota os conduziu até ali).


A Reação
Após uma troca de acusações e discussões acaloradas que quase terminaram em “street fighter”, as duas equipes descobrem que estão sem possibilidades de comunicação externa (ou seja: presos na Ilha Sorna…). Mas há uma solução: no centro da ilha, encontra-se uma estação de comunicação, que é abastecida com energia geotérmica. O problema é que o território dos Velociraptores fica ali!

Aqui vai uma lição: NÃO coloque todos os seus suprimentos, equipamentos e demais itens em um mesmo local, coloque um “back-up” (suporte/apoio) na forma de um tubo de sobrevivência. Eu postei um vídeo no canal da Iniciativa, o que é e como fazer um “saco de sobrevivência”, que é mais barato e mais fácil de fazer do que um tubo de sobrevivência:


Vídeo introdutório do Saco de Sobrevivência


Vídeo ensinando como fazer um Saco de Sobrevivência

Se a equipe de Ian tivesse trabalhado com o conceito de tubo/saco de sobrevivência, certamente eles não estariam em situação tão crítica…

E mais uma crítica ao filme: assim como na análise do primeiro filme, eu critico o fato de Ludlow não ter levado consigo um equipamento de comunicação independente, como um telefone via-satélite, por exemplo.

Também critico o fato de nenhum dos personagens da equipe de Ian ter preso consigo, junto ao corpo, um equipamento de sobrevivência. No filme, eventuais necessidades do dr.Malcolm e sua equipe, foram supridas pela equipe de Peter Ludlow, mas na vida real as coisas não são fáceis ou simples assim…


Mortes e Mais Mortes!
Após as discussões (e brigas) terminarem, Roland toma a iniciativa de seguir para o centro da ilha e todos o seguem imediatamente.

Depois de um dia inteiro de caminhada, o grupo chega á uma floresta com pinheiros e samambaias, onde fazem uma parada rápida. Dieter e Carter sentam-se um pouco mais afastado em relação ao grupo e o primeiro “vai ao banheiro”, porém Carter está ouvindo música com fones de ouvidos e não escuta Dieter, que acaba se perdendo no meio do mato e ficando sem as suas armas.

O sujeito cai em um barranco e é emboscado por um bando de Compsognato, que o devoram. A presença de Dieter só é notada quando o grupo decide partir. Roland pega Carter e um outro indivíduo e saem em busca do membro desaparecido, antes, marcando um ponto de encontro com o restante da equipe para que possam se encontrar depois.

Percebe-se que Roland (um caçador experiente e muito prudente) é o sobrevivencialista por excelência: domina a leitura de mapas, é destemido, sabe atirar, sabe se movimentar (e quando não fazê-lo) além de ter boas iniciativas. O caso de Dieter, nos mostra que nunca devemos ficar sozinhos no mato e que devemos sempre marcar a trilha que pegamos, pois para olhos destreinados, o mato é “tudo igual”.

De noite, Roland, Carter e o terceiro membro de seu grupo de busca e resgate se encontram com o restante do grupo (que estava sendo liderado por Ajay). Após uma conferência com Ian e Ajay, Roland informa que Dieter está morto e que eles estão próximos do centro de comunicações (“vila”, como eles o chamam no filme) e que o grupo descansará por mais uma hora e então, todos partirão.

O plano corria bem, até que o casal de T-Rex (guiados pelo cheiro de sangue de seu filhote, que encontra-se na jaqueta da dra.Sarah Harding) aparece no acampamento, causando um alvoroço. Um dos T-Rex persegue os humanos: Carter é morto, bem como o paleontologista Robert Burke. Sarah, Nick e Kelly ficam presos em uma caverna, porém Ian aparece e os guia para a trilha.

O outro T-Rex fica vagando pelo acampamento e Roland (após ter sabotada a sua tentativa de matar a fera) decide utilizar tranquilizantes ao invés de balas.

Enquanto Ian e a sua equipe ficavam para trás, a equipe de Roland está dividida: Roland e Peter Ludlow estão nas proximidades do acampamento onde os T-Rex atacaram; enquanto todo o restante da equipe (incluíndo Ajay) estão na última milha antes de chegarem na vila: é quando eles são atacados pelos Velociraptores. Na fuga, Ajay joga a sua mochila ao chão, mas acaba sendo pego da mesma maneira…

Ian e a sua “tropa” chegam no local onde Ajay e o seu grupo foram atacados e encontram a mochila dele e percebem que os Velociraptores estão por perto e que o grupo aparentemente foi morto… eles saem em disparada e terminam caindo em um barranco que conduz diretamente a vila. Nick Van Owen pega a mochila pertencente a Ajay e dirige-se sozinho para o centro de comunicações, deixando Ian, Sarah e Kelly para trás (Ian estava esbaforido).

Acessando a mochila de Ajay, Nick obtém o documento com instruções de como pedir ajuda por rádio bem como as coordenadas. Do ponto de vista sobrevivencialista, a fuga da área onde os Raptores se encontravam e a obediência á um protocolo de resgate, são impecáveis: evadir às vezes é a melhor (e única) solução para sobreviver.

Mais tarde, Ian, Sarah e Kelly chegam na vila e procurando por Nick, são atacados por três Velociraptores. A cena é muito longa para descrever, mas quem já viu sabe exatamente o que eu escrevo aqui: a essência do sobrevivencialismo mais do que equipamentos e treino, é a capacidade de adaptar-se a crises que aparecem na frente de uma pessoa! O trio utilizando de parcos recursos, conseguiu proteger-se, escapar e evadir das mãos (das presas, na verdade…) dos Velociraptores.

Nick aparece e junto com ele, um helicóptero pousa no telhado da estrutura e o quarteto é resgatado. Ian fica sabendo que outros helicópteros estão na ilha buscando pelos outros sobreviventes. Nesse momento, ele vê o T-Rex adormecido por Roland, que despede-se de Ludlow afirmando que está “cansado da companhia da morte”.


Em San Diego
Ao chegarem no continente (na cidade de San Diego) Ian e Sarah dirigem-se para as docas pertencentes a InGen, onde Peter Ludlow e diversos magnatas esperam a chegada do cargueiro com o T-Rex capturado. O navio acaba chocando-se com o porto e após uma rápida vistoria, percebe-se que a tripulação foi atacada por alguma fera. Enfim o T-Rex desperta e ataca tudo o que se mexe. O dinossauro sai das docas e passa a atacar transêuntes pelas ruas e nada parece detê-lo. Vale á pena destacar a cena em que uma multidão corre em uma direção (em um verdadeiro estouro de manada) e um “nerd” em um lance mal pensado e impulsivo, tenta entrar em uma locadora de filmes e é devorado pelo Tiranossauro. Nunca tome decisões por impulso em uma situação de crise.

Por fim, Ian e Sarah pegam o filhote (que havia sido levado de aeronave até um anfiteatro) e usam-no para atrair o T-Rex até o navio, trancafiando ambos nos porões da embarcação (mas não sem antes, a dra.Harding disparar um tranquilizante) no adulto. No processo, Peter Ludlow acaba sendo morto pelos Tiranossauros em uma cena claramente anti-capitalismo em que “o empresário ganancioso morre vítima de sua própria ganância” (pura baboseira esquerdista).

O filme termina com a televisão ligada, onde Bernard Shaw, um jornalista de esquerda, noticia na CNN (uma rede também esquerdista, diga-se de passagem) que o navio está sendo conduzido em segurança até a Ilha Sorna (e escoltado pela U.S Navy). Kelly Malcolm, cobre com um cobertor, o pai (Ian) e a namorada dele (Sarah Harding) que estão exaustos e dormem no sofá em frente ao aparelho já citado, onde John Hammond faz um apelo ambientalista em favor dos dinossauros.


Considerações
Bom, esse filme da franquia Jurassic Park, diferente de seu antecessor, possui pessoas mais bem-preparadas para lidarem com as situações de crises que ocorrem ao longo da película. A crítica que faço é ao apelo esquerdista que há nele o tempo todo. Se você não se importar de aturar imbecilidades como: “ambientalismo”, “anti-capitalismo”, “luta de classes” e outros, assistir esse filme não será problema.

Link da análise do filme Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros aqui.

Em breve, a análise do terceiro e último filme da franquia Jurassic Park!


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Economia&Preparação – Parte 1



Graça e paz á todos! Como prometido, estou postando artigos que falam sobre economia e como ela afeta as nossas preparações. Essa parte 1 fala do que é economia e o que seria valor subjetivo. Vamos lá?


Terminologia
A palavra “economia” deriva do grego “oikonomea” (oikos=casa; nomea=gestão/gerência da) e trata basicamente da disponibilidade de recursos em determinada localidade (geográfica, cultural ou sistêmica – sistemas financeiros, sistemas monetários, sistemas bancários dentre outros, por exemplo).

Por isso, nós preparadores e sobrevivencialistas, devemos saber, pelo menos, como funciona a economia, para ao menos planejarmos e executarmos esses mesmos planejamentos na hora em que uma crise acontece. E eu venho através desse blog, oferecer isso para vocês, leitores!


Valor Subjetivo
Essa teoria econômica afirma que os preços das coisas (produtos) que encontram-se no mercado possuem o preço que possuem, por causa do valor subjetivo, que nada mais é do que o quanto o mercado (pessoas, empresas…) dão valor para determinado objeto.

Uma rápida pergunta: se você tivesse, digamos, R$ 500,00 sobrando (você já pagou todas as suas contas, não deve nada para ninguém e tem mais R$ 10.000,00 na sua conta) e estivesse diante de você, um Canivete Victorinox Huntsman e um canivete chinês, sem marca, barato e de qualidade duvidosa, qual deles você compraria? Acredito que o Victorinox Huntsman, não é mesmo? Mas por que? A resposta para essa pergunta é simples: o valor subjetivo, isto é, o quanto você dá valor para aquele bem e o quanto você está disposto a pagar por esse item.

O valor subjetivo está ligado a marca e ao meio onde aquele produto está inserido. No Amazonas, comprar água é algo barato (entre R$ 1,50 e R$ 2,00 a garrafa de 600 ml de água). Em Israel, uma garrafa com a mesma capacidade custa não menos que US$ 5,00! Ou uns NIS* 12,00-16,00 na moeda de lá! Mas porquê?

Em Israel, 70% do país é desértico, sendo assim, cada gota de água é de um valor imensurável, por isso as pessoas dão muito mais valor a água do que no Amazonas, que possui a maior parte das fontes de água doce do planeta! Entendem a subjetividade?

Quando forças externas ao mercado (políticas governamentais, conflitos bélicos, fenômenos da natureza) atuam intrusivamente nele, o preço de determinado bem, produto ou serviço modifica-se (ou como diria o economista Frederik Auguste Hayek: adultera-se). Mas sobre isso, falarei no próximo artigo.

Até mais! Fiquem com Deus!

Caso esteja interessado, poderá ler a Parte 2 desta série clicando aqui. E a Parte 3, bem aqui. 



*NIS é a abreviação para New Israel Shekel, ou “Novo Shekel de Israel”, que entrou em circulação naquele país em 1986 e prossegue até os dias atuais (2017). Para todos os efeitos, o valor cambial do NIS é equivalente ao nosso Real Brasileiro.


Vídeo onde falo sobre o que é economia e o valor subjetivo