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sexta-feira, 24 de março de 2017

O Mundo Perdido: Jurassic Park 2 – Uma Análise Preparadora (e Sobrevivencialista)



Graça e paz á todos!

Hoje tratarei da análise do filme O Mundo Perdido: Jurassic Park 2.

Há algum tempo atrás, eu fiz uma análise do ponto de vista do sobrevivencialismo e da preparação do filme Jurassic Park (o primeiro, caso deseje vê-la, clique aqui) onde mostrei como o filme é mal-construído do ponto de vista sobrevivencialista. Agora vamos para o segundo filme dessa franquia: aviso que HÁ SPOILERS (isto é: revelações da história do filme), portanto se não desejar “perder a graça”, saia desse artigo e vá assistir o filme primeiro.


Começando…
O segundo filme da franquia Jurassic Park começa um pouquinho mais tranquilo em relação ao primeiro: uma família de super-ricões está viajando de iate pelo Oceano Pacífico e decidem comer em uma praia com toda a pompa e circunstância. A família (chama-se Bowen, de acordo com a sinopse) é composta de um pai (displicente), uma mãe (dondoca) e uma menina pequena com menos de dez anos de idade chamada Cathy.

Cathy se afasta dos pais (sob protestos da mãe e com a total conivência do pai) e acaba sendo atacada pelos Compsognato, que a deixam machucada (mas viva, de acordo com John Hammond). A primeira lição sobrevivencialista do filme: NUNCA acesse uma área selvática que seja de seu total desconhecimento: se o casal tivesse consciência de que ali era uma ilha com dinossauros, JAMAIS teriam pensado em desembarcarem ali. A segunda lição é a mais óbvia: tome cuidado com os membros de sua família, principalmente os menores e mais fracos.

A cena seguinte mostra Ian Malcolm (o cara que se ferrou no primeiro filme, lembram?) em um metrô.

Na mansão de Hammond, Ian tem uma discussão com Peter Ludlow (sobrinho de John Hammond) que destruiu a reputação dele acobertando os fatos ocorridos no primeiro filme. Após a discussão, o dr.Malcolm segue para conversar com Hammond, que conta as más-notícias: o ataque com Cathy; a InGen usou isso como desculpa para retirar Hammond do cargo de presidente da empresa; a corporação irá enviar uma expedição á chamada “ilha b”, também conhecida como “Ilha Sorna”;

O plano de John Hammond é simples: ele decide enviar a sua própria expedição, mas para documentar os hábitos e a existência dos dinossauros e levar isso ao conhecimento do público (que diga-se de passagem, não sabe da existência dos dinossauros até aquela presente data).

Após relutar, Ian aceita partir para a ilha após saber que a sua namorada, Sarah Harding já se encontra em Sorna. Antes da bombástica revelação, Hammond havia dito á Ian que o infravermelho dos satélites haviam indicado que os predadores se concentravam no centro da ilha.

Ian se reúne com Eddie Carr (especialista de campo) e Nick Van Owen (repórter e “garanhão” metido á ambientalista), membros da equipe que deverão ir até a Ilha Sorna e se encontrarem com a dra.Harding (paleontologista) para assim recolherem imagens e gravações de áudio e vídeo dos dinossauros. Exceto Ian Malcolm, ninguém da equipe possui experiência prática em sobrevivência, principalmente, sobrevivência á dinossauros!

Pouco antes de desembarcarem na ilha, o condutor da balsa avisa que não aportará em Sorna e que o arquipélago inteiro é conhecido como “Las Cinco Muertes”.


Na Ilha
Uma vez em Sorna, a equipe capitaneada por Ian Malcolm arma o seu acampamento e segue atrás da dra.Sarah Harding, que está observando e fotografando um bando de estegossauros. De maneira imprudente, Sarah aproxima-se de um filhote de estegossauros e após acariciá-lo, tira fotos dele até que a máquina fotográfica termina o rolo (para os mais novos: antes dos cartões de memória, as máquinas fotográficas eram em filmes e quando o rolo acabava, rebobinava automaticamente fazendo um barulho): o barulho do rebobinamento faz com que os estegossauros ataquem Sarah que quase é morta. Nunca ponha-se em perigo desnecessariamente, caro preparador/sobrevivencialista! Eu sei que é apenas um filme, mas devemos tomar lições para a nossa vida, certo?

Para piorar a situação, a equipe descobre que Kelly Malcolm, filha de Ian Malcolm, estava escondida no trailer… em meio a discussão que se segue, ouve-se e visualiza-se helicópteros da InGen: a expedição de Peter Ludlow chegou á ilha!

Os homens de Ludlow (liderados por Roland Tembo – um experiente caçador, um verdadeiro sobrevivencialista! - e Dieter Stark) capturam vários dinossauros e armam o seu acampamento, dispondo as jaulas com as feras nos arredores do acampamento. Enquanto isso, Roland e o seu amigo Ajay Sidhu, saem em busca do T-Rex e para atraí-lo, capturam o filhote dele e o colocam em um local-chave para a captura (á favor do vento).

Ian, Sarah, Eddie e Nick, aproveitam o fato de que todos os membros da equipe de Ludlow estão em uma vídeo-conferência ao vivo com os acionistas da InGen e soltam os dinossauros, que atacam e destroem o acampamento de Ludlow.

Enquanto fugiam, Sarah e Nick vêem o filhote de T-Rex preso ao chão: ele está com o fêmur fraturado e eles decidem tratar do ferimento do animal em seu próprio acampamento. Ian e Eddie consideram isso loucura, bem como Kelly, mas nada pode ser feito ante a teimosia da paleontóloga e do repórter. Kelly, muito assustada, exige sair dali e é conduzida ao abrigo suspenso de Eddie, que fica com ela no topo, junto com Ian: é quando o farfalhar de galhos e leves tremores de terras são ouvidos… são o casal de T-Rex, que sentem o cheiro e os gritos do filhote e vão ao acampamento de Ian e cia para salvá-lo!

Ian corre para o acampamento apenas para avisar (tarde demais) que os T-Rex estavam á caminho…

Á seguir, a cena mais desesperadora do filme acontece: depois de devolverem o filhote, o casal de predadores atacam o trailer, deixando-o próximo de despencar no promontório: montar um acampamento próximo de um promontório é uma boa idéia, pois o mar, junto com o paredão, servem de “muralhas naturais”, mas no filme, acampar ali mostrou-se uma burrice enorme. Mas na vida real, armar acampamentos-bases em regiões com obstáculos naturais é sim uma boa idéia e aí o filme acertou: só tome cuidado para que você e eventuais companheiros fiquem (literalmente) em uma situação sem saída.

Eddie pega a sua pick-up e segue para o acampamento e após momentos de desespero, as coisas começam a melhorar, pois ele consegue jogar uma corda para Nick, Sarah e Ian, além disso, o carro dele está rebocando o trailer. No entanto, por causa da fumaça emitida pela pick-up, os T-Rex reaparecem e matam Eddie, fazendo com que o carro dele e o trailer caiam pelo promontório e explodam. Felizmente, Ian, Sarah e Nick estão bem atados á corda e escalam o paredão, apenas para serem auxiliados pelos homens de Ludlow, que estão junto com Kelly (provavelmente a garota os conduziu até ali).


A Reação
Após uma troca de acusações e discussões acaloradas que quase terminaram em “street fighter”, as duas equipes descobrem que estão sem possibilidades de comunicação externa (ou seja: presos na Ilha Sorna…). Mas há uma solução: no centro da ilha, encontra-se uma estação de comunicação, que é abastecida com energia geotérmica. O problema é que o território dos Velociraptores fica ali!

Aqui vai uma lição: NÃO coloque todos os seus suprimentos, equipamentos e demais itens em um mesmo local, coloque um “back-up” (suporte/apoio) na forma de um tubo de sobrevivência. Eu postei um vídeo no canal da Iniciativa, o que é e como fazer um “saco de sobrevivência”, que é mais barato e mais fácil de fazer do que um tubo de sobrevivência:


Vídeo introdutório do Saco de Sobrevivência


Vídeo ensinando como fazer um Saco de Sobrevivência

Se a equipe de Ian tivesse trabalhado com o conceito de tubo/saco de sobrevivência, certamente eles não estariam em situação tão crítica…

E mais uma crítica ao filme: assim como na análise do primeiro filme, eu critico o fato de Ludlow não ter levado consigo um equipamento de comunicação independente, como um telefone via-satélite, por exemplo.

Também critico o fato de nenhum dos personagens da equipe de Ian ter preso consigo, junto ao corpo, um equipamento de sobrevivência. No filme, eventuais necessidades do dr.Malcolm e sua equipe, foram supridas pela equipe de Peter Ludlow, mas na vida real as coisas não são fáceis ou simples assim…


Mortes e Mais Mortes!
Após as discussões (e brigas) terminarem, Roland toma a iniciativa de seguir para o centro da ilha e todos o seguem imediatamente.

Depois de um dia inteiro de caminhada, o grupo chega á uma floresta com pinheiros e samambaias, onde fazem uma parada rápida. Dieter e Carter sentam-se um pouco mais afastado em relação ao grupo e o primeiro “vai ao banheiro”, porém Carter está ouvindo música com fones de ouvidos e não escuta Dieter, que acaba se perdendo no meio do mato e ficando sem as suas armas.

O sujeito cai em um barranco e é emboscado por um bando de Compsognato, que o devoram. A presença de Dieter só é notada quando o grupo decide partir. Roland pega Carter e um outro indivíduo e saem em busca do membro desaparecido, antes, marcando um ponto de encontro com o restante da equipe para que possam se encontrar depois.

Percebe-se que Roland (um caçador experiente e muito prudente) é o sobrevivencialista por excelência: domina a leitura de mapas, é destemido, sabe atirar, sabe se movimentar (e quando não fazê-lo) além de ter boas iniciativas. O caso de Dieter, nos mostra que nunca devemos ficar sozinhos no mato e que devemos sempre marcar a trilha que pegamos, pois para olhos destreinados, o mato é “tudo igual”.

De noite, Roland, Carter e o terceiro membro de seu grupo de busca e resgate se encontram com o restante do grupo (que estava sendo liderado por Ajay). Após uma conferência com Ian e Ajay, Roland informa que Dieter está morto e que eles estão próximos do centro de comunicações (“vila”, como eles o chamam no filme) e que o grupo descansará por mais uma hora e então, todos partirão.

O plano corria bem, até que o casal de T-Rex (guiados pelo cheiro de sangue de seu filhote, que encontra-se na jaqueta da dra.Sarah Harding) aparece no acampamento, causando um alvoroço. Um dos T-Rex persegue os humanos: Carter é morto, bem como o paleontologista Robert Burke. Sarah, Nick e Kelly ficam presos em uma caverna, porém Ian aparece e os guia para a trilha.

O outro T-Rex fica vagando pelo acampamento e Roland (após ter sabotada a sua tentativa de matar a fera) decide utilizar tranquilizantes ao invés de balas.

Enquanto Ian e a sua equipe ficavam para trás, a equipe de Roland está dividida: Roland e Peter Ludlow estão nas proximidades do acampamento onde os T-Rex atacaram; enquanto todo o restante da equipe (incluíndo Ajay) estão na última milha antes de chegarem na vila: é quando eles são atacados pelos Velociraptores. Na fuga, Ajay joga a sua mochila ao chão, mas acaba sendo pego da mesma maneira…

Ian e a sua “tropa” chegam no local onde Ajay e o seu grupo foram atacados e encontram a mochila dele e percebem que os Velociraptores estão por perto e que o grupo aparentemente foi morto… eles saem em disparada e terminam caindo em um barranco que conduz diretamente a vila. Nick Van Owen pega a mochila pertencente a Ajay e dirige-se sozinho para o centro de comunicações, deixando Ian, Sarah e Kelly para trás (Ian estava esbaforido).

Acessando a mochila de Ajay, Nick obtém o documento com instruções de como pedir ajuda por rádio bem como as coordenadas. Do ponto de vista sobrevivencialista, a fuga da área onde os Raptores se encontravam e a obediência á um protocolo de resgate, são impecáveis: evadir às vezes é a melhor (e única) solução para sobreviver.

Mais tarde, Ian, Sarah e Kelly chegam na vila e procurando por Nick, são atacados por três Velociraptores. A cena é muito longa para descrever, mas quem já viu sabe exatamente o que eu escrevo aqui: a essência do sobrevivencialismo mais do que equipamentos e treino, é a capacidade de adaptar-se a crises que aparecem na frente de uma pessoa! O trio utilizando de parcos recursos, conseguiu proteger-se, escapar e evadir das mãos (das presas, na verdade…) dos Velociraptores.

Nick aparece e junto com ele, um helicóptero pousa no telhado da estrutura e o quarteto é resgatado. Ian fica sabendo que outros helicópteros estão na ilha buscando pelos outros sobreviventes. Nesse momento, ele vê o T-Rex adormecido por Roland, que despede-se de Ludlow afirmando que está “cansado da companhia da morte”.


Em San Diego
Ao chegarem no continente (na cidade de San Diego) Ian e Sarah dirigem-se para as docas pertencentes a InGen, onde Peter Ludlow e diversos magnatas esperam a chegada do cargueiro com o T-Rex capturado. O navio acaba chocando-se com o porto e após uma rápida vistoria, percebe-se que a tripulação foi atacada por alguma fera. Enfim o T-Rex desperta e ataca tudo o que se mexe. O dinossauro sai das docas e passa a atacar transêuntes pelas ruas e nada parece detê-lo. Vale á pena destacar a cena em que uma multidão corre em uma direção (em um verdadeiro estouro de manada) e um “nerd” em um lance mal pensado e impulsivo, tenta entrar em uma locadora de filmes e é devorado pelo Tiranossauro. Nunca tome decisões por impulso em uma situação de crise.

Por fim, Ian e Sarah pegam o filhote (que havia sido levado de aeronave até um anfiteatro) e usam-no para atrair o T-Rex até o navio, trancafiando ambos nos porões da embarcação (mas não sem antes, a dra.Harding disparar um tranquilizante) no adulto. No processo, Peter Ludlow acaba sendo morto pelos Tiranossauros em uma cena claramente anti-capitalismo em que “o empresário ganancioso morre vítima de sua própria ganância” (pura baboseira esquerdista).

O filme termina com a televisão ligada, onde Bernard Shaw, um jornalista de esquerda, noticia na CNN (uma rede também esquerdista, diga-se de passagem) que o navio está sendo conduzido em segurança até a Ilha Sorna (e escoltado pela U.S Navy). Kelly Malcolm, cobre com um cobertor, o pai (Ian) e a namorada dele (Sarah Harding) que estão exaustos e dormem no sofá em frente ao aparelho já citado, onde John Hammond faz um apelo ambientalista em favor dos dinossauros.


Considerações
Bom, esse filme da franquia Jurassic Park, diferente de seu antecessor, possui pessoas mais bem-preparadas para lidarem com as situações de crises que ocorrem ao longo da película. A crítica que faço é ao apelo esquerdista que há nele o tempo todo. Se você não se importar de aturar imbecilidades como: “ambientalismo”, “anti-capitalismo”, “luta de classes” e outros, assistir esse filme não será problema.

Link da análise do filme Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros aqui.

Em breve, a análise do terceiro e último filme da franquia Jurassic Park!


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros – Uma Análise Preparadora (e Sobrevivencialista)



Graça e paz á todos!

Venho através deste artigo analisar do ponto de vista da preparação e do sobrevivencialismo, o filme Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros, que foi lançado em 1993 contando com a direção do lendário Steven Spielberg e de efeitos especiais da Light&Magic.

Este artigo é apenas o primeiro de uma série que englobará os três primeiros filmes da franquia Jurassic Park.

Obviamente, o artigo CONTÉM SPOILER (história do filme)! Então, antes de ler este artigo, assista primeiro o filme e depois venha aqui, ok?!

Eu sempre que escrevo um artigo, tento fazê-lo o mais curto possível para que ele não se torne chato ou massante de se ler, mas dessa vez eu tive que escrever um texto longo e peço o perdão de vocês, leitores por ter feito isso, mas foi por uma boa causa: deixá-los bem instruídos á respeito de preparação e sobrevivencialismo.


Contexto do Filme Jurassic Park
Logo na abertura, vemos o personagem Robert Muldoon com os empregados da InGen tentando colocar os Velociraptores dentro da sua jaula e um dos funcionários acaba sendo pego pelos dinossauros que acabam devorando-o… esse incidente faz com que os investidores da InGen (os acionistas, aqueles que detém partes da empresa) acabem tendo receios de continuarem a investir no projeto mais ambicioso que a empresa possuía: o Jurassic Park, um parque que contaria com dinossauros vivos como atração! Como o objetivo desse artigo é analisar o filme de uma ótica de preparação e sobrevivencialismo, pouparei detalhes de como a InGen conseguiu trazer os dinossauros de volta á vida.

Os acionistas exigem que especialistas em paleontologia vejam o parque e ofereçam um parecer sobre a segurança do mesmo. É onde entram os paleontologistas Allan Grant e Ellie Satler: tendo as suas pesquisas financiadas pelo magnata John Hammond e recebendo dele uma proposta de financiamento de suas pesquisas por mais três anos, os paleontologistas acabam aceitando irem para o parque sem saberem do que se tratava.


Análise dos Riscos
Aqui começamos a primeira consideração: sem serem informados de que tipo de parque deveriam analisar, sabendo que o mesmo ficava em uma ilha 120 milhas á oeste da Costa Rica, os paleontólogos não se prepararam. Poderiam ter levado cada um uma mochila ou talvez uma pochete com alguns equipamentos para emergências, tais como um par de walk-talkies, lanternas, um canivete suíço ou um multi-tool, kit de primeiros-socorros, cantil, purificador de água, roupas extras… só para citar alguns equipamentos.

Eu sei que o filme é mais emocionante quando os personagens possuem pouca coisa ou nada além de si mesmos para sobreviverem, mas nós estamos na vida real e não dentro da “telinha”.

Mesma coisa para Donald Gennaro (advogado que representava os acionistas da InGen) e Ian Malcolm (um matemático): totalmente despreparados para seguirem por dentro de um parque do qual não possuíam conhecimento algum de seu teor e localizado em uma ilha afastada da civilização.

Depois que Dennis Nedry (propositalmente) desliga as cercas elétricas do parque, vemos que outro sintoma da falta de preparação atinge os personagens localizados no Centro de Visitantes: sem poderem acessar o sistema e assim religarem as cercas do parque, Hammond, Muldoon e Arnold tentam ligar para a Universidade de Cambridge, onde Nedry se formou, mas os telefones estão mudos: era uma falha total do sistema! Novamente, batendo na mesma tecla: um parque cheio de dinossauros, no meio do nada não possui um sistema de comunicação independente? Um telefone via-satélite que fosse? Hammond afirmava que “não poupou despesas” para o parque… sério mesmo?!

Seja como for, outro erro de preparação é que as pessoas que estavam no Centro de Visitantes (Hammond, Muldoon, Arnold e Satler) não tinham acesso direto a armas. Alguns diriam que por razões de segurança o Centro de Visitantes provavelmente não tinha armas, mas durante a crise de segurança, ficou evidente que eles estavam indefesos: se um Velociraptor ou algum outro predador tivesse aparecido naquele instante, teria transformado as pessoas no Centro de Visitantes em salame!


O T-Rex
Quando o Tiranossauro Rex saiu de sua cerca e acabou atacando a Lex e o seu irmão menor, Tim, Ian Malcolm acaba cometendo um grave erro ao tentar atrair a atenção do T-Rex: como consequência desse erro, ele acaba sendo ferido gravemente e Donald Gennaro é morto, deixando Allan Grant com a difícil e ingrata tarefa de ter que salvar Lex e Tim. Allan havia dito a Ian que o T-Rex se guiava por movimentos: bastavam ficarem parados e o predador não os atacaria, mas na hora em que Allan (que sabia o que fazia) jogou o sinalizador, Ian esqueceu o que o paleontólogo havia dito e de maneira equivocada tentou distrair a criatura e quase morreu por isso.

Essa parte do filme deixou claro que durante uma crise, mais do que equipamentos, ter resiliência emocional para saber o que fazer, quando fazer e como fazer é o que realmente importa.

Ainda sobre essa parte em que o T-Rex ataca: quando a fera consegue precipitar o carro (com o jovem Tim dentro) e Allan consegue resgatá-lo e quase morrendo por isso, ele, Tim e Lex deveriam ter permanecido no local ou nas proximidades: aquele encanamento de esgoto que tinha ao lado da árvore (onde Tim foi resgatado) era perfeito para se abrigarem da chuva e (principalmente) de eventuais ataques do T-Rex. Vemos que por muito pouco, Robert e Ellie não resgataram o trio (claro que se isso tivesse ocorrido, metade do filme teria ido para o ralo…). Então outra lição de sobrevivência é ficar no local do acidente esperando o resgate chegar, e só evadir se não houver qualquer chance de abrigo/segurança no local onde ocorreu o acidente (ou incidente).

Outra coisa importante a se destacar: quando evacuaram o local do acidente, Allan, Lex e Tim deveriam ter feito “á limpa” no que havia sobrado do carro. Lembremos que havia uma caixa com alguns itens na parte detrás do veículo: ali eles poderiam ter obtido pelo menos alguns sinalizadores, que poderiam terem sidos utilizados para distrair, talvez amedrontar eventuais predadores ou mesmo para sinalizar um resgate. Para transportar os itens, a blusa que Allan estava vestindo poderia ter sido utilizada para improvisar uma bolsa (além do que, o dr.Grant estava usando uma camiseta branca por debaixo da mencionada blusa, o que garantiria a ele uma proteção mesmo sem a blusa).


O Abrigo de Segurança e os Velociraptores
Depois da falha em resgatar Allan, Lex e Tim, Arnold decide reinicializar os sistemas do parque desligando toda a energia. Funciona e não funciona: o sistema realmente reinicia, mas ocorre um erro e é necessário ir até a central de eletricidade do parque e reativar todo o sistema manualmente. Arnold calmamente diz que em uma hora, no máximo duas, estará de volta e Hammond acha uma boa idéia que todos se retirem para o Abrigo de Segurança. Arnold diz que após ativar o sistema de eletricidade, voltará ao Centro de Visitantes e fará o reativamento de todos os outros sistemas nos computadores.

A noite e a madrugada passam e vem o amanhecer: os sistemas do parque continuam desligados, assim Robert Muldoon (um caçador experiente) e a doutora em paleo-botânica, Ellie Satler decidem irem até a central de eletricidade para poderem religar todos os sistemas do parque além de saberem o que aconteceu com Arnold.

Robert pega uma calibre .12 e algumas balas enquanto Ellie pega… um walk-talkie! Aqui temos outra crítica a ser feita: se eu estivesse em um parque cheio de dinossauros “passeando” livremente por aí, sinceramente, eu andaria com uma espingarda e uma mochila com diversos cartuchos para ela!

Enquanto a dupla segue para a central, passam pela cerca dos Velociraptores e descobrem que o trio havia fugido! Mesmo assim eles seguem para lá. Se fosse eu, daria meia-volta e seguiria para o abrigo para me reequipar melhor e realizar planos de evasão e movimentação tática, o que certamente aumentariam em muito as minhas chances de sobrevivência em um cenário assim.

Seja como for, a dupla estando próximo do centro de energia (há alguns metros apenas) percebem que os Velociraptores que haviam fugido estavam caçando-os e Robert Muldoon, um caçador experiente, ordena a Ellie Satler que siga correndo para o prédio e restaure a força. Eis aqui um erro: sempre quando uma presa corre, todo predador (todo!) instintivamente corre atrás da presa. Como isso aqui é um filme (e que trata de dinossauros trazidos de volta á vida) ok, podemos deixar batido, mas nunca corra de um predador como a dra.Satler fez no filme senão babau, já era.

Outro erro (e que custou a vida de Muldoon) foi o fato de que ele não tinha um plano B ou coisa do tipo: ele estava armado apenas com uma espingarda calibre .12 que possui um alto poder de penetração, mas que tem um coice muito forte, além de exigir que a cápsula seja ejetada manualmente após um disparo, o que deixa o atirador/caçador totalmente exposto a caça por preciosos segundos caso ele erre o tiro. Ter uma arma secundária, como por exemplo o famoso revólver Magnum .44 Raging Bull, seria perfeito (pois foi desenhado para essa situação descrita anteriormente). No canal Sobrevivencialismo, o Júlio Lobo já fez uma review desse incrível revólver, caso deseje ver, eis aqui o vídeo:




Para finalizar, além de todos esses erros, a dra.Satler, por conta do medo e do desespero, esqueceu-se de falar para o caçador Muldoon, que os Velociraptores caçam em bandos e que um deles serve de isca enquanto os outros membros do bando atacam de surpresa pelos flancos. Ela sabia dessa informação, pois na cena em que ela e Allan estão em Montana, nos EUA, escavando uma ossada de Velociraptor, o dr.Grant explica a um menino como funcionava a movimentação tática dos Velociraptores enquanto caçavam (e ela estava próxima, ouvindo a explicação). Sem as informações corretas de como caçar Velociraptores, Robert Muldoon foi uma presa fácil para eles e acabou virando merenda de dinossauro. Portanto, mesmo que você seja um preparador ou sobrevivencialista experiente, sempre tente obter informações precisas e de confiança sobre a crise que você estiver enfrentando no momento.


A Cerca Elétrica e o Centro de Visitantes
Quando enfim Ellie religa a eletricidade, é atacada por um Velociraptor e foge, Allan, está enfrentado outro problema: Tim acaba eletrocutado e tem uma parada cardíaca. Por conhecer a famosíssima massagem cardíaca, o dr.Grant consegue reanimar o menino e tudo fica bem. Saber primeiros-socorros é sempre bom durante uma crise.

Após entrar no Centro de Visitantes e não encontrar ninguém, Allan Grant decide sair e procurar por outras pessoas. E detalhe: sem armas e sem saber por onde começar… ele deixou Lex e Tim no Centro e partiu, julgando que estariam seguros ali, mas vimos que os garotos foram caçados impiedosamente pelos Velociraptores.

Á seguir vemos uma sucessão de erros de sobrevivência: Allan pega uma .12 com algumas balas, volta para o Centro de Visitantes, Ellie vai com ele desarmada (de novo…) e após reencontrarem Lex e Tim, eles são perseguidos por um Velociraptor e acabam acuados na Sala de Controle do Centro de Visitantes, onde Allan tendo uma .12 larga-a no chão para tentar impedir o dinossauro de adentrar ali: Ellie ao invés de pegar a espingarda, une-se ao dr.Grant na tentativa tola de impedir o Velociraptor de entrar na sala; Tim fica sem ação, desesperado e Lex tem algum nível de resiliência e vai ao computador e religa os sistemas, incluíndo o de segurança. Teria sido mais prudente dar um balaço na cara do Velociraptor: um tiro de .12 á queima-roupa, teria transformado em miolos a cabeça do dinossauro!

Por fim, o Velociraptor tenta invadir a Sala de Controle pela janela, Allan atira entre três e quatro vezes, novamente joga a espingarda no chão (RAIOS!!!) e escapa pelo forro da sala com um contra-tempo (Lex quase é pega pelo dinossauro). Mesmo que a espingarda estivesse desmuniciada, tê-la seria uma boa opção, pois mais á frente, poderia ser recarregada com novos cartuchos, além de poder ser utilizada como arma branca (por exemplo, o famoso golpe com a coronha).

Seja como for, sendo caçados pelo Velociraptor, acabam subindo nos ossos expostos na entrada do Centro de Visitantes e por fim caem e são acuados pelo bando de predadores. Allan, Ellie, Lex e Tim apenas ficam vagando de um lado para o outro da sala, acuados e indefesos. Eles poderiam ter pegos alguns dos ossos que estavam espalhados pelo chão e tentado resistir com eles (em uma situação de crise, até paus e pedras se transformam em armas formidáveis e letais).

Por fim eles escapam com a ajuda do T-Rex e saem de helicóptero da ilha.


Resumo e Conclusões Pessoais
Resumidamente, os pontos a serem destacados são esses:

  • Nunca vá a locais desconhecidos sem estar plenamente preparado.
  • Prese pela autonomia e auto-suficiência sempre que puder. Ser independente do sistema (não importa qual) é sempre bom.
  • Sempre que possível, tenha acesso direto a meios de se defender.
  • Não conte apenas com experiências passadas em outras crises para resolver uma crise nova.
  • Ter resiliência emocional é fundamental para a sobrevivência.
  • Em caso de acidente/incidente, ficar no local o maior tempo possível para que as chances de resgate aumentem e só evadir em último caso.
  • Nunca abandonar itens durante uma crise e sempre improvisar.
  • Sempre tenha um plano B e tente não se colocar em uma situação sem-saída.
  • Conheça primeiros-socorros.
  • Não repita um mesmo erro durante uma crise. E se possível, não erre.
  • Em uma situação de crise, objetos simples podem serem utilizados como armas.


Minhas conclusões pessoais é que apesar de ser um filme aclamado, Jurassic Park possui um roteiro mal-escrito (do ponto de vista sobrevivencialista e preparador) além de ter cometido erros crassos em paleontologia: os Velociraptores, por exemplo, possuem a aparência física dos dinossauros conhecidos como Deiniochus, inclusive a sua principal característica: a garra curva. Além disso, o filme claramente é um “garoto propaganda” de bandeiras como: ecologia, ambientalismo, o anti-capitalismo, o ateísmo e (de maneira disfarçada) o nazismo! A “teoria da seleção natural” do evolucionismo, é a base para a “teoria das raças” usada no eugenismo (sendo que o nazismo adotou uma linha de eugenismo que ficou conhecida como “arianismo”).

É triste e notório ver que constantemente Hollywood se presta a fazer ativismo político de Esquerda, ao invés de criar bons filmes com tramas inteligentes.

Portanto, caso você seja cristão praticante, recomendo que veja o filme com os dois pés atrás e lembre-se também que cientificamente falando, nunca (NUNCA!!!) ficou provado que os dinossauros viveram milhões de anos atrás, os paleontólogos apenas estimam que eles tenham vivido naquela época (ou seja, acham – baseiam-se em “achismo” para fazer ciência!) e testes de Carbono 14 mostraram que os fósseis de dinossauros possuem alguns milhares de anos e não “milhões de anos”.


Fiquem com Deus! Graça e paz á todos e até a próxima!

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Caso se interesse, também fiz uma análise do filme O Mundo Perdido: Jurassic Park 2. É só clicar aqui.